
O placar do Datafolha no Distrito Federal saiu com Flávio Bolsonaro na frente: 54% dos votos válidos contra 46% de Lula no segundo turno para presidente. Em votos totais, a conta fica 49% para Flávio, 43% para Lula, 2% de indecisos e 6% de brancos e nulos. Não é detalhe técnico. Voto válido é a régua que o TSE usa para proclamar o resultado.
A pesquisa ouviu 910 eleitores de todas as regiões do DF, entre terça, dia 6, e quarta, dia 7. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos. Está registrada na Justiça Eleitoral com os códigos DF-03365/2026 e BR-09856/2026. Fazendo a conta de engenheiro, 49 dividido por 92, que é a soma dos votos totais dos dois candidatos, dá 53,3%. Arredondando, chega nos 54% de votos válidos. A matemática bate.
Pesquisa não é urna. Eu não trato número de instituto como sentença divina. Mas também não finjo que 910 entrevistas, com método declarado e registro na Justiça Eleitoral, são conversa de mesa de bar. O dado precisa ser lido com cuidado. A diferença em votos totais é de seis pontos, exatamente duas vezes a margem de erro. Em votos válidos, são oito pontos. Isso não autoriza soberba de lado nenhum, mas aponta uma vantagem real no DF.
Eu moro em Samambaia Sul, nado em Taguatinga, tenho vida no lado de cá do quadradinho e sei que o DF não cabe na Esplanada. Quem olha Brasília de fora acha que aqui é só servidor público, ministério, palácio e terno escuro. Tem isso, claro. Mas tem Ceilândia, Gama, Sobradinho, Brazlândia, Vicente Pires, Recanto das Emas, Santa Maria, Riacho Fundo. Tem gente pegando trânsito, pagando aluguel, tentando manter pequeno negócio aberto, esperando resposta de administração regional e tomando susto com imposto.

Por isso, não me espanta que Flávio esteja melhor aqui do que Lula. O levantamento nacional divulgado na quinta deu 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula, com margem de dois pontos. No DF, o placar aparece mais aberto. Pra mim, isso tem a ver com um cansaço bem concreto. Muita gente quer menos tutela, menos imposto, menos fala bonita e mais respeito à vida de quem trabalha, empreende e se vira sem padrinho.
Eu desconfio de candidato que enxerga todo problema como falta de fiscalização, falta de cadastro, falta de multa ou falta de verba. Segurança pública ruim vira mais restrição para o cidadão comum. Trânsito ruim vira mais taxa. Moradia irregular vira labirinto de papel, mas a solução nunca chega. Quem já precisou protocolar pedido, cobrar resposta por escrito, usar Lei de Acesso à Informação ou bater na porta de órgão público sabe que o Estado adora pedir documento e demora para entregar serviço.
A disputa pelo GDF reforça esse desenho. Celina Leão aparece com 60% dos votos válidos contra 40% de Leandro Grass. No primeiro turno, ela fez 49,93% dos votos válidos e ele ficou com 34,47%. Faltou pouco para resolver logo na primeira etapa. Agora a eleição local ficou colada na nacional: Celina apoiada por Flávio, Grass ajudado por Lula. Isso mobiliza militância, mas também simplifica demais uma discussão que deveria passar por escola, saúde, segurança, regularização, transporte e gasto público.
Eu quero saber, de quem pretende governar o DF, como vai reduzir burocracia sem inventar nova secretaria, como vai tratar invasão sem premiar esperteza, como vai dar segurança sem desarmar o cidadão honesto, como vai cuidar da cidade sem achar que dinheiro público nasce em árvore. Pesquisa ajuda a medir temperatura. A urna decide. No dia 25, a pergunta concreta é simples: o eleitor do DF quer mais controle sobre a própria vida ou mais governo dizendo como ele deve viver?




